sábado, 5 de novembro de 2011

Os sindicatos farmacêuticos e as eleições dos Conselhos de Farmácia.

Em 1960 foram criados os Conselho Federal e Regionais de Farmácia. A Lei 3820, assinada pelo Presidente Juscelino Kubitschek , aprovada no dia 11 de novembro e publicada no Diário Oficial da União do dia 21 de novembro, determinou em seu artigo 1o  que "Ficam criados os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia, dotados de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira, destinados a zelar pela fiel observância dos princípios da ética e da disciplina da classe dos que exercem atividades profissionais farmacêuticas no País".
Em seu artigo 10, a Lei prevê que as atribuições dos CRF´s são:

a) registrar os profissionais de acordo com a presente lei e expedir a carteira profissional;
b) examinar reclamações e representações escritas acerca dos serviços de registro e das infrações desta lei e decidir;
c) fiscalizar o exercício da profissão, impedindo e punindo as infrações à lei, bem como enviando às autoridades competentes relatórios documentados sobre os fatos que apurarem e cuja solução não seja de sua alçada;
d) organizar o seu regimento interno, submetendo-o à aprovação do Conselho Federal;
e) sugerir ao Conselho Federal as medidas necessárias à regularidade dos serviços e à fiscalização do exercício profissional;
f) eleger seu representante e respectivo suplente para o Conselho Federal. (Obs.: Redação dada pela Lei número 9.120, de 26/10/1995)
g) dirimir dúvidas relativas à competência e âmbito das atividades profissionais farmacêuticas, com recurso suspensivo para o Conselho Federal.

Se lermos atentamente, percebemos que as funções dos diversos CRF´s,  e consequentemente dos seus Conselheiros, estão claramente determinadas e são limitadas conforme a Lei. Não há como desejar fazer nem menos nem mais do que isso, pois oscilaria entre a prevaricação ou exacerbação do seu âmbito de atuação. Não fazer seria tão ruim quanto desprezar o papel de outras entidades. Acompanhando a publicação de diversos candidatos às próximas eleições de 10 de novembro de 2011, fica claro que alguns talvez não conheçam o papel dos Conselhos Regionais de Farmácia, ou imaginam que suas atribuições não estejam desenhadas ou ludibriam seus possívies eleitores. Alguns discutem o piso salarial da categoria como atribuição dos Conselhos Regionais ou Federal, mas já está descrito na legislação que essa é uma atribuição dos sindicatos.

Quero destacar o que diz o CRF-PR em seu site  : "Os sindicatos de classe exercem um papel muito importante na defesa profissional, são eles que defendem melhores condições de trabalho, salários compatíveis, negociam e assinam acordos coletivos, representam política e juridicamente sues associados, defendem os interesses coletivos e individuais da categoria, podem também disponibilizar ofertas de empregos, serviços de recreação, convênios e cursos. Sua esfera de atuação é mais flexível e ampla, abrangendo os interesses políticos, econômicos e ideológicos. Porém a filiação dos profissionais não é obrigatória."

Diz o art. 8o  da Constituição Federal:

"... ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;

 ...é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;"

Com o exposto acima fica claro que os Conselhos de Farmácia e os Sindicatos Farmacêuticos possuem funções distintas. Um não invade o âmbito de atuação do outro, são complementares, pois o sucesso de uma categoria se desenhará quando as duas entidades cumprirem bem o seu papel sem invadir o campo de atuação de outra.

 
Pois é....



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Carlos Drummond de Andrade, um farmacêutico de 109 anos!

     A história da profissão farmacêutica é antiga. Infelizmente, alguns a contam de forma equivocada, como encontrei em alguns sites "propagandísticos", de algumas drogarias, que se equivocam nas datas e acabam por desinformar aos demais. Não pretendo estar certo, apenas quero estar fundamentado em sites oficiais, para poder realizar esta postagem.

     Do ponto de vista histórico, conforme já divulgado neste humilde blog, lido por 2 ou 3 leitores, 1532 pode ser considerado um ano de grande importância para a profissão farmacêutica. Neste ano Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil, veio com 3 Naus, juntamente com diversas autoridades. Entre elas, o primeiro Boticário assalariado de Portugal para o Brasil , Diogo de Castro.

     Em 1808 chega ao Brasil a família Real. Em 1832 foi criada a Faculdade de Medicina e com isso regulou-se o ensino de farmácia. Em 1839 são criadas duas Escolas de Farmácia, uma em Ouro Preto e outra em São João Del Rei, destinada ao ensino de farmácia e da matéria médica brasileira, pelo Governo Provincial de Minas Gerais. São as primeiras escolas de farmácia do Brasil.

     Em 31/10/1902 nasce Carlos Drummond de Andrade, filho do fazendeiro Carlos de Paula Andrade e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade, nascido em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais. Cursou Farmácia em Belo Horizonte para onde a família se mudara em 1920. Em 1924 envia carta a Manuel Bandeira manifestando sua admiração pelo poeta. “É também neste ano que conhece Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral”.

     Drummond talvez não tenha exercido a profissão como esperávamos, pois em 1925 volta para Itabira – MG, “sem interesse pela profissão de farmacêutico e sem conseguir se adaptar à vida de fazendeiro”. Seu primeiro livro, “Alguma Poesia”, foi escrito em 1930.

“Em 1982 completa 80 anos. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. e em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro”.




domingo, 30 de outubro de 2011

Mais algumas dicas de filmes para profissionais de saúde!

Esse foi uma dica de alguns colegas que atuam com Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS)...

"O PREÇO DA VIDA" (2005)

"A inacreditável saga de Sandro (Matteo Gadola) estava apenas começando enquanto velejava com seu pai Bruno (Alessio Boni), o garoto cai em pleno mar durante a noite. Milagrosamente ele é resgatado ainda com vida por um barco clandestino, repleto de imigrantes ilegais que tentam uma vida melhor em países mais ricos da Europa. Agora, Sandro terá de enfrentar um lado totalmente desconhecido de sua vida que até aquele momento era tranqüila e segura ao lado dos pais. Através da convivência com uma classe social que ele sequer sonhava existir, o garoto vai mudar sua visão de mundo. E talvez entenda, da pior maneira possível, o significado de todo aquele desespero que ele presenciara algumas semanas atrás."

Esse está em cartaz no cinema:

"CONTÁGIO" (2011)

"Em uma viagem área, Beth (Gwyneth Paltrow) e outros dois passageiros, um funcionário de um cassino de Hong Kong e uma modelo de Londres, começam a passar mal. Beth recebe os cuidados do marido Mitch (Matt Damon) mas, assim que desce do avião, a doença se espalha para os habitantes da região onde mora, até atingir uma proporção maior: os EUA inteiro. Como se não bastasse, os companheiros de voo, que moram em outras regiões do mundo, começam a espalhar a infecção, assim como fez Beth."




"FORA DE CONTROLE" (2007)

"O que pode acontecer quando pessoas diferentes ficam sob o mesmo teto por vinte e oito dias tendo apenas uma coisa em comum: o vício? Mark, um ator e produtor pornô, é viciado em álcool, drogas, jogos e sexo; Joe é um comediante que tem problemas com bebidas; Sara é um modelo que recorre à heroína para acalmar sua fome por comida; e Harry é um viciado em medicamentos. Sob tratamento do conselheiro Bill e sua esposa Kelly, seus amigos e familiares se juntam a eles para o programa de final de semana, um processo de terapia de grupo que resulta numa série de desastres físicos e emocionais."

 

Fontes:

http://www.filmesdecinema.com.br/filme-o-preco-da-vida-7025/
http://www.filmesdecinema.com.br/filme-fora-de-controle-8059/
http://www.cineclick.com.br/index.php/filmes/ficha/nomefilme/contagio/id/17372

domingo, 23 de outubro de 2011

Droga psiquiátrica é veneno para crianças, diz médica!

Por CLÁUDIA COLLUCCI
De WASHINGTON

      Primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe no bicentenário "New England Journal of Medicine", a médica Marcia Angell já foi considerada pela revista "Time" uma das 25 personalidades mais influentes nos EUA. Desde 2004, Angell, 72, é conhecida como a mulher que tirou o sossego da indústria farmacêutica e de muitos médicos e pesquisadores que trabalham na área. Naquele ano, ela publicou a explosiva obra "A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos", que desnuda o mercado de medicamentos.
     Usando da experiência de duas décadas de trabalho no "NEJM", ela conta, por exemplo, como os laboratórios se afastaram de sua missão original de descobrir e fabricar remédios úteis para se transformar em gigantescas máquinas de marketing.
     Professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, Angell é autora de vários artigos e livros que questionam a ética na prática e na pesquisa clínica. Tornou-se também uma crítica ferrenha do sistema de saúde americano. Tem se dedicado a escrever artigos alertando sobre o excesso de prescrição de drogas antipsicóticas, especialmente entre crianças. "Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade", diz ela.
     Mãe de duas filhas e avó de gêmeos de oito meses, ela diz que recebe muitos convites para vir ao Brasil, mas se vê obrigada a recusá-los. "Não suporto a ideia de passar horas e horas dentro de um avião." A seguir, trechos da entrevista exclusiva que ela concedeu à Folha.

Folha - Houve alguma mudança no cenário dos conflitos de interesses entre médicos e indústria farmacêutica desde a publicação do seu livro?

Marcia Angell - Não. Os fatos continuam os mesmos. Talvez as pessoas estejam mais atentas. Há mais discussão, reportagens, livros, artigos acadêmicos sobre esses conflitos, então eles parecem estar mais sutis do que eram no passado. Mas é claro que as companhias farmacêuticas sempre encontram uma forma de manter o lucro.

E os pacientes? Algumas pesquisas mostram eles parecem não se importar muito com essas questões.

Em geral, os pacientes confiam cegamente nos seus médicos. Eles não querem ver esses problemas. Além disso, as pessoas sempre acreditam que os medicamentos sejam muito mais eficazes do que eles realmente são. Até porque somente estudos positivos são projetados e publicados.
A mídia, os pacientes e mesmo muitos médicos acreditam no que esses estudos publicam. As pessoas creem que as drogas sejam mágicas. Para todas as doenças, para toda infelicidade, existe uma droga. A pessoa vai ao médico e o médico diz: "Você precisa perder peso, fazer mais exercícios". E a pessoa diz: "Eu prefiro o remédio".
E os médicos andam tão ocupados, as consultas são tão rápidas, que ele faz a prescrição. Os pacientes acham o médico sério, confiável, quando ele faz isso.
Pacientes têm de ser educados para o fato de que não existem soluções mágicas para os seus problemas. Drogas têm efeitos colaterais que, muitas vezes, são piores do que o problema de base.

A sra. tem escrito artigos sobre o excesso de prescrições na área da psiquiatria. Essa seria hoje uma das especialidades médicas mais conflituosas?

Penso que sim. Há hoje um evidente abuso na prescrição de drogas psiquiátricas, especialmente para crianças. Crianças que têm problemas de comportamento ou problemas familiares vão até o médico e saem de lá com diagnóstico de transtorno bipolar, ou TDAH [transtorno de déficit de atenção e hiperatividade]. E é claro que tem o dedo da indústria estimulando os médicos a fazer mais e mais diagnósticos.
Às vezes, a criança chega a usar quatro, seis drogas diferentes porque uma dá muitos efeitos colaterais, a outra não reduz os sintomas e outras as deixam ainda mais doentes.
Drogas antipsicóticas estão claramente associadas ao diabetes e à síndrome metabólica. Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade. Pessoas que acham que isso não é assim tão terrível sempre argumentam comigo que essas crianças, em geral, chegaram a um estado tão ruim que algo precisa ser feito. Mas isso não é argumento.

Hoje, fala-se muito em medicina personalizada. Na oncologia, há uma aposta de que drogas desenvolvidas para grupos específicos de pacientes serão uma arma eficaz no combate ao câncer. A sra. acredita nessa possibilidade?

Para mim, isso é só propaganda. Não faz o menor sentido uma companhia farmacêutica desenvolver uma droga para um pequeno número de pessoas. E que sistema de saúde aguentaria pagar preços tão altos?

Algumas escolas de medicina nos EUA começaram a cortar subsídios da indústria farmacêutica e de equipamentos na educação médica continuada. No Brasil, essa dependência é ainda muito forte. É preciso eliminar por completo esse vínculo ou há uma chance de conciliar esses interesses?

Deve ser completamente eliminado. Professores pagam para fazer cursos de educação continuada, advogados fazem o mesmo, por que os médicos não podem? A diferença é que você não precisa ir a um resort no Havaí para ter educação médica continuada. É preciso pensar em modelos de capacitação mais modestos. E, com a internet, todos os países, mesmo os pobres ou em desenvolvimento, podem fazer isso. A educação médica não pode ser financiada por quem tem interesse comercial no conteúdo dessa educação.




domingo, 16 de outubro de 2011

Os "pequenos" e a tecnologia!

Em outras postagens cometei sobre o quanto evoluímos nos últimos anos. É assustador lembrar que faz pouco tempo, alguns de nós não possuíamos telefone (e quem os possuia, declarava junto a receita federal)  sendo que hoje, temos de 2 a 3 celulares. Praticamente todos os brasileiros estão se falando por pequenos aparelhos móveis, que além disso, ainda servem de rádio FM, fotografam e são nossas agendas. Se considerarmos o tempo tecnológico em que isso aconteceu, podemos julgar que foi mais veloz do que nossa imaginação. O desenho dos Jetsons estão quase por se tornar uma realidade. O filme "2001, uma odisséia no espaço" errou por pouco no prazo em que os computadores poderiam dominar o mundo. Quando nos lembramos do "bug do milênio", podemos dizer que faltou pouco para o criador ser dominado pela criatura. Enfim, esse é um mundo real que pode ser antecipado e previsto pelo virtual.
Não sou um saudosista e nem retrógrado. Tento acompanhar os movimentos modernos. Faz pouco tempo que achei que furar a orelha e fazer uma tatuagem poderiam me deslocar automaticamente para um mundo moderno. Estava errado. Os novos tempos obrigam com que convivamos com a modernidade da forma mais natural. considerando que estamos em uma era cibernética, tecnologicamente avançada e não podemos lutar contra isso...temos que buscar acompanhar a evolução. Engraçado imaginar que hoje convivemos com 3 gerações completamente diferentes do ponto de vista do contato com a tecnologia. Uma nunca teve contato com isso, como nossos avós. A segunda, até teve algum contato, mas com máquinas enormes, com os primórdios dos computadores, seus disquetes e em linguagem que hoje não mais existe. Uma terceira já nasceu no meio do avanço citado.  Lembro-me de que quando foi implantado o voto através da urna eletrônica, e não faz muito tempo,  uma matéria jornalística mostrou um brasileiro que, em toda sua vida, nunca havia apertado um botão. Fosse de um elevador, de um telefone digial, sua digital nunca seria encontrada em nenhum aparelho. Ouvi ainda duas  histórias que demonstram como vive a atual geração:
- Uma amiga minha, mãe de um pequeno de 7 anos de idade, ao terminar a leitura de um livro, como o faz toda noite, ao fechá-lo o garoto gritou: "Mãe, salva, salva para não perder a página". Não lhe veio à cabeça a possibilidade de "marcar" a página onde sua mãe havia parado...ele queria que ela a salvasse, linguagem típica dos computadores.
- Outra amiga comentou que soube de uma criança que, para mudar o canal da TV, largara o controle remoto, símbolo de avanço tecnológico para minha geração e correu para a tela. Postou-se a frente do aparalho e passou a esfregar o dedo na tela, buscando mudar o canal como se faz com o Tablet. Corria seu dedinho na tela aguardando a mudança do canal.
- Em uma palestra sobre a necessidade de nos aproximarmos dos jovens e passarmos a falar sua linguagem, ouvi a história de um tio que recebendo seu sobrinho em caso, o pequeno, com seus 9 anos de idade, abriu um armário antigo e encontrou um LP. Puxou o estranho objeto para fora, olhou com atenção e perguntou ao tio: "O que é isso?". "É um disco", ele lhe respondeu. "E para que serve?", continuou o garoto! "Serve para tocar música...ele possui algumas músicas". O garoto olhou-o novamente, virou o objeto de um lado e de outro e comentou: "Deve caber muita música nele, né?". O guri tem a lógica de que, se um CD, com seu pequeno tamanho, consegue dispor de tantas melodias, imagina uma "bolacha" daquele tamanho! E ainda possui música nos seus dois lados.
Posto isso apenas para pensarmos....