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Farmacêutico, servidor público e professor. Além disso, tentando estar antenado com os assuntos do cotidiano....

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A música "Parabéns a Você" foi escrita por uma farmacêutica!

Quero dedicar esta postagem aos camaradas Wanderley Gomes, Carlos Scaldaferri e Patrique Lima. Nossos encontros são regados a temas como política, controle social e também sobre farmacêuticos famosos. Sou considerado pelos três como um defensor de que a sociedade chegou até aqui com a interferência, direta ou indireta, de farmacêuticas ou farmacêuticos. Por isso dedico a postagem...pois vem mais uma história.

Falar de farmacêuticos(as) que fizeram a diferença na história, mesmo que não fosse conhecida sua profissão, mereceu neste humilde blog um marcador chamado FARMACÊUTICOS FAMOSOS. Aliás, se quiser saber tudo o que foi publica até aqui sobre o tema, acesso o endereço: 

Pois bem, dando continuidade ao tema, quero lembrar de uma farmacêutica que tem influenciado os aniversários comemorados em todo o Brasil: “Bertha Celeste Homem de Mello”. Possivelmente você não a conhece, mas ela é a autora da famosa cantiga entoada na hora de se “partir o bolo”. Afora todas as variações que essa melodia já teve, em toda comemoração de “compleaños”, como diriam meus amigos espanhóis, costuma-se cantar: “Parabéns pra você, nesta data querida. Muitas felicidades, muitos anos de vida”. Esta é uma versão, ainda que um pouco diferente da originalmente criada por  Bertha, de uma canção consagrada em 1933 numa peça da Broadway intitulada “Happy Birthday to You”. A música surgiu a partir de uma melodia criada em 1875 e registrada, numa outra versão, em 1893 pelas professoras e irmãs Mildred e Patrícia Smith Hill. A versão em português, criada por Bertha, surgiu através de um concurso criado pelo radialista Henrique Foréis Domingues, o “Almirante”, em 1942. Buscando uma versão brasileira para a famosa melodia o concurso acabou por selecionar e premiar (dentre cerca de 5.000 concorrentes) a versão criada pela farmacêutica, que na ocasião usou o codinome Léa Magalhães e que foi escrita da seguinte forma: “Parabéns a você nesta data querida. Muita felicidade. Muitos anos de vida”. O “pique...é pique...é hora” veio depois, não tendo sido escrito por ela.

Bertha, filha de J.J. Homem de Mello e Maria da Conceição Varela Homem de Mello, nasceu em  21 de março de 1902, em Pindamonhangaba – SP e faleceu em 1999. Formou-se em farmácia

Escrevendo a postagem, algumas informações foram encontradas de formas diferentes diversos sites pesquisados:

- O concurso que acabou por premiar Bertha foi feito pela Rádio Nacional segundo algumas fontes e pela Rádio tupi do Rio de Janeiro segundo outros. Além disso, a data do concurso também apresenta divergência: 1942 e 1943.

De qualquer forma, Bertha era farmacêutica...e isso é o que importa!


  
Fontes história e imagem:
http://mundoestranho.abril.com.br/cultura/quem-sao-os-autores-de-parabens-a-voce/
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,parabens-a-voce-bertha-de-mello,3965






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

SINFAR-SP: Lute contra o fechamento das farmácias nas unidades públicas de saúde.

Farmacêuticos, técnicos de farmácias, usuários do SUS e diversos movimentos populares de saúde estão engajados na luta contra o projeto da prefeitura que visa o fechamento das farmácias nas unidades públicas de saúde. Faça parte dessa luta! Disponibilizamos aqui o panfleto elaborado em conjunto para esta ação. Você pode baixá-lo aquI. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CNS recomenda rejeição à PL que exclui controle social em pesquisas com seres humanos.


Por unanimidade, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou nesta sexta-feira (17) recomendação à Câmara dos Deputados em que sugere a rejeição ao Projeto de Lei 200/2015. A matéria foi aprovada na quarta-feira (15) pelo Senado e agora será apreciada pelos deputados federais.
O PL retira da Comissão Intersetorial de Ética em Pesquisa (Conep), vinculada ao Conselho, a atribuição de fazer a análise ética das pesquisas para proteger a integridade dos pacientes que delas participam. Na visão dos conselheiros, a proposta enfraquece o controle social em defesa dessas pessoas.
Para o conselheiro nacional de saúde e coordenador da Conep, Jorge Venâncio, os pacientes submetidos a pesquisas não podem ser colocados em uma situação de fragilização dos seus direitos. Segundo ele, é necessária uma forte atuação do controle social na Câmara que convença os deputados a rejeitarem o projeto.
“A expectativa nossa é que não seja cometido um ato que enfraqueça a defesa dos participantes de pesquisa dentro do Congresso Nacional. Infelizmente, o Senado foi por esse caminho, mas estamos confiantes de que vamos conseguir uma melhoria na Câmara, uma postura mais firme em defesa dos doentes que participam de pesquisas, que estão, muitas vezes, em situação de desespero”, afirmou o coordenador da Conep.
O projeto prevê que, em substituição à Conep, um novo órgão seja criado na estrutura da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Com essa mudança, a análise ética das pesquisas passaria a ser feita sem a participação de representantes dos pacientes, que hoje atuam sob a coordenação da Conep.
No Senado, o projeto foi aprovado em plenário sem o acolhimento de 21 emendas que foram apresentadas pelos senadores Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). As emendas buscavam preservar a estrutura de controle social que hoje é garantida pela Conep.

Jorge Vasconcellos
Assessoria CNS

Fonte: http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2017/02fev17_CNS_recomenda_rejeicao_PL_exclui_controle_social_pesquisas_seres_humanos.html

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Alexandre Padilha: "Não podemos permitir o fechamento das farmácias nas UBSs da cidade de SP".

O Ex-Ministro da Saúde Alexandre Padilha se manifestou sobre a proposta do atual Prefeito de São Paulo, João Dória, de extinguir as farmácias das Unidades Básicas de Saúde de SP, transferindo suas atividades para a rede privada de farmácias e drogarias. Além disso, lembrou dos 6 anos da ação "Saúde Não Tem Preço", lançado em 2011. 


Matéria publicada no Jornal Diário de São Paulo. Disponível no endereço: 

https://scontent.fbsb4-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/16681883_1249842018440055_7339098720860024215_n.jpg?oh=6afb1d46f154864c3cd339aa87ed55ce&oe=59044A04



Vídeo postado em sua página no Facebook sobre o tema. Clique na imagem para assistir:




sábado, 11 de fevereiro de 2017

11/02/2017 - 100 anos da morte de Oswaldo Cruz.

Extraído do Site: INVIVO.FIOCRUZ

Oswaldo Gonçalves Cruz nasceu em 5 de agosto de 1872 em São Luís de Paraitinga, São Paulo, filho do médico Bento Gonçalves Cruz e de Amália Bulhões Cruz. Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro. Aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e, em 1892, formou-se doutor em Medicina com a tese A veiculação microbiana pelas águas. Quatro anos depois, realizou seu grande sonho: especializar-se em Bacteriologia no Instituto Pasteur de Paris, que reunia os grandes nomes da ciência na época.

Produção de soro em Manguinhos
Ao voltar da Europa, Oswaldo Cruz encontrou o porto de Santos assolado por violenta epidemia de peste bubônica e logo se engajou no combate à doença. Face à ameaça da peste chegar ao Rio de Janeiro, foi criado, a 25 de maio de 1900, o Instituto Soroterápico Federal, com o objetivo de fabricar o soro antipestoso. Como diretor geral, o Barão de Pedro Afonso, e diretor técnico o jovem bacteriologista. Em 1902, assumiu a direção geral do novo Instituto, que ampliou suas atividades, não mais restringindo-se à fabricação de soros, mas dedicando-se também à pesquisa básica e aplicada e à formação de recursos humanos.

As campanhas sanitárias

Campanha contra febre amarela
No ano seguinte, foi nomeado Diretor-Geral de Saúde Pública, cargo que corresponde atualmente ao de Ministro da Saúde. Utilizando o Instituto Soroterápico Federal como base de apoio técnico-científico, deflagrou suas memoráveis campanhas de saneamento. Seu primeiro adversário: a febre amarela, que angariara para o Rio a reputação de túmulo dos estrangeiros e que matou, de 1897 a 1906, quatro mil imigrantes.
Oswaldo Cruz estruturou a campanha contra a febre amarela em moldes militares, dividindo a cidade em 10 distritos sanitários, cada qual chefiado por um delegado de Saúde. Seu primeiro passo foi extinguir a dualidade na direção dos serviços de Higiene. Para isso, estabeleceu-se uma conjugação de esforços entre os setores federais e a Prefeitura, com a incorporação à Diretoria Geral de Saúde Pública do pessoal médico e de limpeza pública da municipalidade.
A polícia sanitária estabelecia medidas rigorosas para o combate ao mal amarílico, inclusive multando e intimando proprietários de imóveis insalubres a demoli-los ou reformá-los. As brigadas mata-mosquitos percorriam a cidade, limpando calhas e telhados, exigindo providências para proteção de caixas d'água, colocando petróleo em ralos e bueiros e acabando com depósitos de larvas e mosquitos.
Nas áreas de foco, expurgavam as casas, pela queima de enxofre e piretro e providenciavam o isolamento domiciliar dos doentes ou sua remoção para o Hospital São Sebastião.
Oswaldo baseou o combate à febre amarela no recente êxito da campanha realizada pelos americanos em Havana e em algumas experiências realizadas no Brasil, que comprovavam o acerto da teoria do médico cubano Carlos Finlay de que o transmissor da doença era um mosquito: o Aedes aegypti, na época conhecido como Stegomyia fasciata ou Culex aegypti.
Numa época em que ainda se acreditava que a maior parte das doenças era provocada pelos ares pestilenciais, a ideia de "se pagar a rapagões para caçar mosquitos", como dizia uma revista de então, só poderia provocar o riso. O jovem pesquisador bem que tentou alterar a opinião pública, fazendo publicar seus Conselhos ao Povo, uma série de folhetos educativos. Mas enfrentava a oposição de grande parte da classe médica, que não acreditava na teoria de Finlay.
Oswaldo não foi poupado: charges diárias na imprensa, canções com letras maliciosas, quadrinhas... Mas o riso logo se transformou em indignação, devido ao rigor com que eram aplicadas as medidas sanitárias - especialmente a remoção dos doentes e a entrada nas casas para o expurgo, mesmo sem autorização dos proprietários.
Em seguida, Oswaldo iniciou sua luta contra a peste bubônica. A campanha previa a notificação compulsória dos casos, isolamento e aplicação do soro fabricado em Manguinhos nos doentes, vacinação nas áreas mais problemáticas, como a zona portuária, bem como desratização da cidade. A associação entre ratos e mosquitos era irresistível. E a decisão da Saúde Pública de pagar por cada roedor capturado, dando origem aos inúmeros compradores de gabirus que percorriam a cidade, só agravou a situaçãoMas, em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.
A Revolta da Vacina
Em 1904, uma epidemia de varíola assolou a capital. Somente nos cinco primeiros meses, 1800 pessoas tinham sido internadas no Hospital São Sebastião. Embora uma lei prevendo imunização compulsória das crianças contra a doença estivesse em vigor desde 1837, ela nunca fora cumprida. Assim, a 29 de junho de 1904, o Governo enviou ao Congresso projeto reinstaurando a obrigatoriedade de vacinação antivariólica.
Suas cláusulas previam vacinação antes dos seis meses de idade e para todos os militares, revacinação de sete em sete anos e exigência de atestado de imunização para candidatos a quaisquer cargos ou funções públicas, para quem quisesse se casar, viajar ou matricular-se numa escola . Davam ainda à polícia sanitária poderes para convidar todos os moradores de uma área de foco a se imunizarem. Quem se recusasse seria submetido à observação médica em local apropriado, pagando as despesas de estadia.
O projeto estipulava ainda punições e multas para médicos que emitissem atestados falsos de vacinação e revacinação, obrigava diretores de colégio a obedecerem as disposições sobre imunização dos estudantes e instituía a comunicação de todos os registros de nascimento.
Estas medidas draconianas estarreceram a população e a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu ápice. Os jornais lançaram violenta campanha contra a medida. Parlamentares e associações de trabalhadores protestaram e foi organizada a Liga contra a Vacinação Obrigatória.
Quebra-quebra na Revolta
No dia 13 de novembro, estourou a Revolta da Vacina. Choques com a polícia, greves, barricadas, quebra-quebra, tiroteios - nas ruas, a população se levantou contra o governo. No dia 14, a Escola Militar da Praia Vermelha aderiu à rebelião, mas após intenso tiroteio os cadetes foram dispersados. Na Saúde, o Port Arthur carioca, os protestos continuaram. Finalmente, O Governo decretou estado de sitio e, no dia 16, conseguiu derrotar o levante, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina.
Oswaldo Cruz acabou vencendo a batalha. Em 1907, a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro. Em 1908, violenta epidemia de varíola levou a população em massa aos postos de vacinação. O Brasil finalmente reconhecia o valor do seu sanitarista.
No mundo científico internacional, seu prestígio já era indiscutível. Em 1907, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, recebeu a medalha de ouro pelo trabalho de saneamento do Rio de Janeiro. Oswaldo Cruz reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país.
As expedições
Em 1909, deixou a Diretoria Geral de Saúde Publica, passando a dedicar-se apenas ao Instituto de Manguinhos, que fora rebatizado com o seu nome. Do Instituto, lançou importantes expedições cientificas, que possibilitaram maior conhecimento sobre a realidade sanitária do interior do país e contribuíram para a ocupação da região. Erradicou a febre amarela do Pará e realizou a campanha de saneamento na Amazônia, que permitiu o término da obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cuja construção havia sido interrompida pelo grande número de mortes entre os operários.
"Visitamos ontem a cidade de Santo Antonio. Não podes imaginar o que seja. Qualquer descrição por mais pessimista ficaria aquem da realidade. Basta que te diga que não há um só habitante filho do logar. Todas as creanças que ali nascem morrem infallivelmente e as poucas ali nascidas estão de tal modo doentes que fatalmente morrerão em breve", disse Oswaldo Cruz em carta à sua mulher, Emília da Fonseca Cruz.
O sanitarista recomendou uma série de medidas drásticas, a serem implantadas sem demora. Os cuidados sanitários começariam antes do operário chegar à ferrovia, com o engajamento de pessoal em áreas não palustres, exame médico minucioso e fornecimento de quinino durante a viagem. Recomendou ainda exames periódicos nos empregados, fornecimento diário de quinino, desconto dos dias em que o trabalhador não ingerisse o medicamento e gratificação para o operário que passasse três meses sem sofrer nenhum acesso de malária. Finalmente, aconselhou a construção de galpões telados para alojamento do pessoal, fornecimento de água fervida, uso de calçados, locais determinados para a defecação.
Em 1913, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1915, por motivo de saúde, abandonou a direção do Instituto Oswaldo Cruz e mudou-se para Petrópolis. Em 18 de agosto de 1916, assume a prefeitura daquela cidade, traçando vasto plano de urbanização, que não pode ver implantado. Sofrendo de crise de insuficiência renal, morreu na manhã de 11 de fevereiro de 1917, com apenas 44 anos de idade.

Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=114&sid=7