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Santos e Brasília, SP/DF
Farmacêutico, servidor público e professor. Além disso, tentando estar antenado com os assuntos do cotidiano....

sábado, 26 de abril de 2014

De farmacêutico, todo mundo tem um pouco!

É muito comum buscarmos saber sobre quais foram os grandes vultos da profissão que escolhemos por exercer. Sentimos orgulho em saber que grandes personalidades optaram pela mesma área de atuação que nós, mesmo que não a tenha exercido na plenitude, Interessante também podermos contar a história daqueles que não ficaram tão famosos, mas que tiveram condutas que merecem nosso respeito. No meu caso essa busca tem sido o motivo de muito das minhas pesquisas e leituras. Muitas eu já contei nesse humilde espaço, como a do farmacêutico e poeta Carlos Drummond, também sobre Tiradentes e sua botica, além da canonização de José de Anchieta, o primeiro boticário do Piratininga. Também apresentamos a história de Alberto Granado, farmacêutico amigo de Che Guevara, além da relação do carnaval com a saúde e com a profissão farmacêutica.

Em minhas pesquisas tenho descoberto algumas curiosidades que me levaram ao título desta postagem: “De farmacêutico, todos têm um pouco”. Contando-as para pessoas próximas fui caçoado. Perguntaram se minha tese é de que o mundo poderia ser dividido em dois grupos: os que foram farmacêuticos e os que não foram. Claro que não é isso, mas começo a concluir, com um enorme tom de exagero, que muitas personalidades cruzaram ao longo de suas vidas com a história da profissão farmacêutica, direta ou indiretamente. Vamos ver alguns casos?

Agatha Christie publicou mais de 80 livros, tendo vendido mais de 1 trilhão de cópias em todo o mundo. É considerada a maior escritora de romances policiais. Qual seria sua relação com a profissão farmacêutica? Conta a história que Agatha Christie, durante a primeira grande guerra, alistou-se como voluntária no Exército da Cruz Vermelha. Em alguns sites encontramos que ela se alistou como farmacêutica e outros dizem que foi como enfermeira. Os que dizem que a escritora trabalhou como farmacêutica, alegam que vem desta experiência o grande conhecimento sobre venenos, informações que foram usadas em alguns de seus livros. Pesquisando um pouco mais encontramos que Agatha havia se matriculado em curso de enfermagem, antes da guerra, e teve como professor um famoso farmacêutico na cidade, que serviu de inspiração para o livro “O Cavalo Amarelo”. Bom, tendo atuado como farmacêutica ou como aluna de um farmacêutico, a relação está estabelecida.

O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido recentemente, era filho de farmacêutico. Seu pai, Gabriel Eligio García, tornou-se farmacêutico logo depois do nascimento de Gabo. Ou seja, o escritor não foi farmacêutico, mas era filho de um.

CAPTAIN MORGAN é uma famosa marca de rum atualmente comercializada em mais de 75 países. Conta a história, segundo o Blog Mundo das Marcas,  que Sam Bronfman, executivo de uma companhia de bebidas canadense chamada Seagram, foi levado ao Caribe atraído por uma nova oportunidade comercial, o rum com especiarias. Acabou adquirindo a destilaria Long Pond, do governo Jamaicano. Também adquiriu as tradicionais receitas de rum com especiarias, de dois farmacêuticos da cidade de Kingston, conhecidos como os irmãos Levy. Em resumo, o sucesso da marca se deve também aos dois farmacêuticos.

Bom, apresentamos aqui algumas histórias. Sei que temos muitas por descobrir e conto com o auxílio dos meus 3 ou 4 leitores. Aliás, assim como temos apresentado as dicas de filmes, vamos apresentar novas histórias como dicas de farmacêuticos, ou quase, que ficaram, ou deveriam ficar, famosos.



Fontes:


sábado, 19 de abril de 2014

Tiradentes, Inconfidentes e suas boticas.

No dia 21 de abril de 2014 comemoraremos os 54 anos de Brasília e lembraremos dos 222 anos da morte de Joaquim José da Silvia Xavier – conhecido como Tiradentes. Este Blog, nesta breve homenagem, não tentará falar sobre a importância do mártir e líder da Inconfidência Mineira, pois isso está presente na mente de todos os brasileiros que se orgulham da história de nosso país. Além de aprendermos sobre ele nos bancos escolares, diversos sites já contam essa importante passagem com muito mais propriedade do que poderíamos tratar aqui.

Motivado pela importância de resgatarmos os momentos históricos fundamentais da construção da democracia no Brasil, aproveitei a data para relembrar do nosso patrono cívico. É fato que este Blog prima por tentar apresentar fatos históricos a partir de sua relação com a história da saúde e, se possível, com a história da profissão farmacêutica. E com este espírito que queremos destacar a Inconfidência Mineira a partir de pontos que alguns não conhecem. Creio que muitos sabem do que iremos tratar principalmente os mineiros, conhecidos pelo espírito cívico e pelo orgulho em contar a história da linda Minas Gerais.

Para os que não sabem, além de tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político, Tiradentes também aprendeu atividades farmacêuticas, pois foi sócio de uma Botica em Vila Rica. Como é de conhecimento geral, sua alcunha se deu em virtude de sua relação com a profissão de dentista. Foi sob a tutela de um primo cirurgião (alguns sites destacam que ficou sob a tutela de um padrinho), após o falecimento de sua mãe, em 1767 e de seu pai em 1769, quando tinha 11 anos de idade, Joaquim acabou por se dedicar ao exercício da profissão do primo. Entre as atividades desenvolvidas, Tiradentes também tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica - hoje Ouro Preto. Para facilitar a sua localização, destaco o que disse o site www.pousadaemouropreto.com.br. Ele diz que a Ponte do Rosário é “também chamada de Ponte do Caquende, por estar construída sobre o córrego de mesmo nome”. Diz ainda que sua localização ficaria na hoje conhecida Rua Bernardo Guimarães. Segundo o site www.e-biografias.net, Joaquim “se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes”.  

Vale destacar que Tiradentes foi o único inconfidente condenado à morte. Os demais tiveram outras penalidades. Diz o site www.revistadehistoria.com.br : “Dos condenados ao degredo na costa africana oriental, Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, o mais jovem entre os inconfidentes, foi o último a morrer, aos 50 anos, em 1812. Depois de atuar como cirurgião e de ocupar o cargo de vereador da vila de Inhambane, Gurgel seria transferido, em 1804, para o regimento de infantaria da Ilha de Moçambique, como cirurgião-mor. Em Inhambane deixaria fama entre a gente humilde, porque fabricava medicamentos na botica do regimento e os distribuía entre os pobres, sem cobrar nada”.

Óbvio que não se busca aqui criar uma relação entre a Inconfidência e a profissão farmacêutica, mas que o espírito corporativo fala alto quando estabelece uma ponte com o passado de nossa profissão, isso é verdade. Bom, fica mais uma destaque de uma parte de nossa história.

Fonte:

Imagem:


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Curso para farmacêuticos da atenção primária em saúde.

Estão abertas as inscrições para a 2ª edição do curso "Farmacêuticos na Atenção Básica/Primária: trabalhando em redes" promovido pelo Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O curso é EAD com alguns encontros presenciais que dessa vez serão realizados em Maceió-AL. 

Maiores informações acesse: 
http://www.ufrgs.br/farmacia/ensino/curso-de-aperfeicoamento-em-atencao-primaria-a-saude-2013-aps





quarta-feira, 2 de abril de 2014

José de Anchieta: um Santo boticário.

Foi adiada para amanhã a canonização do Padre José de Anchieta. Em 1980 o papa João Paulo II beatificou José de Anchieta e amanhã (03/04/2014) o papa Francisco assinará o documento que o proclamará santo. Para o povo brasileiro é um orgulho e para os farmacêuticos um pouco mais. Poucos sabem, mas o jesuíta José de Anchieta é considerado o primeiro boticário do Piratininga (São Paulo). Cabe salientar que o primeiro boticário no Brasil foi Diogo de Castro, que veio para nossas terras em 1549, junto com Tomé de Souza, governador Geral nomeado pela Coroa Portuguesa.  José de Anchieta chegou ao Brasil no Porto da Bahia, em junho de 1553, na armada de Duarte da Costa, 2° Governador Geral do Brasil.

Sobre o papel desempenhado pelos padres jesuítas no Brasil recomendo a leitura do artigo “Jesuítas e medicina no Brasil Colonial”, escrito por Daniela Buono Calainh - Professora Adjunta do Departamento de Ciências Humanas da UERJ-FFP.  Diz a autora:

“Os jesuítas integraram-se ao esforço da travessia atlântica em direção às novas terras americanas...”.

“Além de trabalharem incansavelmente na difusão da fé cristã, os jesuítas também foram uma grande âncora da saúde na colônia, atestada pela vastíssima documentação das correspondências que mantiveram com seus irmãos em Portugal e no Brasil. Alguns deles vinham de Portugal já formados nas artes médicas, mas a maioria acabou por atuar informalmente como físicos, sangradores e até cirurgiões, aprendendo, na prática, o ofício na colônia, como José de Anchieta, João Gonçalves ou Gregório Serrão. Outros, em meio a obras e cartas, onde comentavam sobre a natureza colonial, dedicaram várias páginas à descrição de ervas e plantas curativas, inaugurando os primeiros escritos sobre a farmacopéia brasileira”.

“A escassez de médicos leigos, formados por escolas de medicina na Europa, pelo menos até o século XVIII, fez dos jesuítas os responsáveis quase que exclusivos pela assistência médica no primeiro século de colonização do Brasil. Ao longo do tempo, foram aperfeiçoando seus conhecimentos mediante contatos com os profissionais leigos residentes na colônia, e ainda pela leitura de importantes obras de medicina, encontradas em muitas das bibliotecas de seus colégios”.

Além de fundarem colégios e erguerem igrejas, também montaram enfermarias e boticas, destinando um irmão para atender e cuidar dos doentes e outro para a preparação de remédios. Encaminhado para o Sul, Anchieta implantou várias boticas nos colégios dos Jesuítas, com destaque para a de São Vicente e de São Paulo.  Nesta última, José de Anchieta era o irmão responsável pela botica. 

Diz o site http://www.novomilenio.inf.br/, sobre José de Anchieta: 

"Conquistou a estima de todos, índios e colonos, aos quais procurou servir sem esmorecimento. Ele mesmo escreveu: "De maneira que os índios me tinham muito crédito, máxime porque eu lhes ocorria a suas enfermidades, e como alguém enfermava logo me me chamavam, dos quais eu curava a uns com levantar a espinhela, a outros com sangrias e outras curas, segundo requeria a sua doença, e com o favor de Cristo Nosso Senhor, achavam-se bem". (Carta ao Geral Diogo Laines, de janeiro de 1565).

Abaixo a biografia encontrada no site www.brasilescola.com, escrita por Rainer Sousa:


"Uma vida direcionada para o ensino e o sacerdócio. É assim que podemos resumir a trajetória do Padre José de Anchieta, nascido no dia 19 de março de 1534, na cidade Tenerife, nas Ilhas Canárias. Tendo em sua origem a ascendência nobre pela parte do pai e judaica pelo lado materno, Anchieta foi levado para Portugal para que tivesse formação intelectual e não sofresse as bem mais intensas perseguições do Tribunal do Santo Ofício instalado em terras espanholas.


A sua ida para os domínios lusitanos aconteceu quando tinha 14 anos idade, mesma época em que estudou filosofia no Colégio das Artes pertencente à Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, ingressou na Companhia de Jesus para dessa forma participar no processo de expansão do cristianismo em terras americanas. Ao ingressar nesse “exército da fé”, exerceu inicialmente a tarefa de celebrar várias missas ao longo de um mesmo dia.

Sua vida agitada e a entrega total ao afazeres religiosos comprometeram a sua saúde, reclamava constantemente de dores na coluna e nas articulações. Obedecendo ao conselho dos médicos da época, Padre Anchieta veio para o Brasil acompanhando a esquadra que trouxe o governador-geral Duarte da Costa, em 1553. Já no primeiro ano instalado no ambiente colonial, o devotado clérigo participou da fundação do primeiro colégio de São Paulo de Piratininga.

Outra interessante ação tomada por Padre Anchieta ao chegar às terras brasileiras está relacionada ao seu interesse em conhecer mais profundamente a língua dos nativos. Com o auxílio do Padre Auspicueta, aprendeu os primeiros termos e expressões do “abanheenga”, língua compartilhada por índios tupis e guaranis. Em pouco tempo, percebeu que as línguas faladas por várias tribos tinham uma mesma raiz formada por aspectos semânticos, gramaticais e vocabulares em comum.

Seu interesse pelas letras também se manifestou na produção de uma extensa obra que incluía a elaboração de poesias, sermões, cartas, peças teatrais religiosas e a produção de uma gramática intitulada “Arte de Gramática da Língua Mais usada na Costa do Brasil”. Essa preocupação com a língua era de essencial importância para a consolidação do projeto evangelizador dos jesuítas, sendo que textos e apresentações artísticas eram produzidos na língua nativa como forma de facilitar a conversão ao cristianismo.

Durante o período em que viveu em terras brasileiras, Anchieta andou bastante pelas regiões que hoje correspondem aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. No ano de 1567, Anchieta alcançou o cargo de Provincial, o mais alto posto da Ordem de Jesus, que havia sido desocupado após a morte do Padre Manuel da Nóbrega. A partir de então, o padre José de Anchieta andou por toda extensão do território colonial orientando as atividades das várias missões jesuítas espalhadas pelo Brasil.

José de Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, na cidade Reritiba, situada na capitania do Espírito Santo. Em razão de seus trabalhos prestados em favor da expansão do cristianismo nas Américas, este clérigo ficou conhecido como “apóstolo do Novo Mundo” e “curador de almas e corpos”. Em 1980, foi beatificado pelo papa João Paulo II após o desenrolar de um lento processo de investigação. Segundo os autos, Anchieta havia operado o “milagre” de converter três pessoas ao cristianismo em um mesmo dia".

Fonte textos e imagem: 

CALAINHO, Daniela Buono. Jesuítas e medicina no Brasil colonial. Tempo,  Niterói ,  v. 10, n. 19, Dec.  2005 .   Available from . access on  02  Apr.  2014.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-77042005000200005.





Farmácia pagará pensão vitalícia por vender medicamento errado.

A 9ª Câmara Cível do TJRS decidiu, à unanimidade, negar o apelo de Drogaria Mais Econômica LTDA. e manter sentença de 1º grau proferida pela Juíza de Direito Célia Cristina Veras Perotto na Comarca de Bagé. A magistrada condenou a empresa a pagar pensão vitalícia no valor de um salário mínimo e indenização por danos materiais e morais somando R$ 14 mil a uma cliente por comercializar um medicamento diferente do prescrito. A decisão foi publicada na quarta-feira (26/3).

Caso
A autora, uma senhora de 90 anos que sofre de mal de Parkinson, ao requisitar o medicamento Akineton, prescrito por seu médico, foi informada pelo funcionário da ré que esse estava em falta, e ao invés dele forneceram-lhe Risperidona, sob o argumento de ser um medicamento genérico equivalente. Em razão do uso do remédio, ela passou a apresentar sérios efeitos colaterais, como ausência de controle das necessidades fisiológicas, impossibilidade de falar e náuseas.
A Drogaria recorreu da decisão.

Apelação
O relator do recurso, Desembargador Eugênio Facchini Neto, afirmou em seu voto que restou provada a ocorrência dos danos alegados, além de não haver provas de que a autora sofria dos males anteriormente, fato alegado pela ré.
Votaram em concordância com o magistrado os Desembargadores Miguel Ângelo da Silva e André Luiz Planella Villarinho.
Processo nº 70058118530

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=236149

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