domingo, 6 de fevereiro de 2011

Minha "Comenda do Blog" para um Boticário.

Estou escrevendo um livro (faz uns 5 anos) falando sobre a história da profissão farmacêutica, referindo-me, principalmente, à personagens pouco conhecidos e que quase não são citados nos livros já existentes. Como pretendo dedicar a “Comenda do Blog do Marco Aurélio”, para algumas pessoas, faço esta postagem.


Fui motivado por ler hoje nos jornais cariocas de que o Largo do Boticário precisa de manutenção. O nome foi dado ao Largo em 1831 e é tombado pelo patrimônio histórico. É uma homenagem ao Boticário Joaquim Luiz da Silva Couto, que ali viveu. O Largo do Boticário fica no Bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, próximo ao Corcovado.


Abaixo destaco algumas citações sobre o Largo e os sites de referência:
“Apenas sete casas compõem outro belo recanto do Rio de Janeiro. Batizado em homenagem a Joaquim Luiz da Silva Souto, boticário da família real que ali morou em uma fazenda, o Largo do Boticário exibe telhados e fachadas coloniais, calçamento estilo pé-de-moleque, árvores centenárias e possui, ainda, o supremo privilégio de ter como vizinhos o Rio Carioca e um belo trecho de Mata Atlântica. Reduto de grandes artistas, o Largo tem promovido, ao longo dos anos, as mais diversas manifestações artísticas e culturais, levando até o bairro do Cosme Velho um grande número de turistas.”
“No bairro do Cosme Velho, ali estava o sítio ou chácara do sargento mor Joaquim Luís da Silva Souto, boticário da família real, conhecido por saber preparar bons xaropes e unguentos. Hoje tem lindas casas, algumas mansões muito reconstruídas ou construídas recentemente seguindo o padrão colonial, onde se abrigam alguns antiquários e pintores.”

Sites de referência desta postagem:
Imagem extraída de:



sábado, 5 de fevereiro de 2011

Novas dicas de filmes para profissionais de saúde

Pois então, novas dicas de filmes para profissionais de saúde. Obrigado pelas sugestões recebidas e não deixem de continuar encaminhando novas dicas.

Perfume – A história de um assassino.
“Paris, 1738. Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw) nasceu em um mercado de peixe, onde sua mãe (Birgit Minichmayr) trabalhava como vendedora. Ela o tinha abandonado, mas o choro de Jean-Baptiste faz com que seja descoberto pelos presentes na feira. Isto também faz com que sua mãe seja presa e condenada à morte. Entregue aos cuidados da Madame Gaillard (Sian Thomas), que explora crianças órfãs, Jean-Baptiste cresce e logo descobre que possui um dom incomum: ele é capaz de diferenciar os mais diversos odores à sua volta. Intrigado, Jean-Baptiste logo demonstra vontade de conhecer todos os odores existentes, conseguindo diferenciá-los mesmo que estejam longe do local em que está. Já adulto, ele torna-se aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera Baldini e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. Jean-Baptiste cada vez mais se interessa em manter o odor de forma permanente, o que faz com que busque meios que possibilitem que seu sonho se torne realidade. Só que, em suas experiências, ele passa a tentar capturar o odor dos próprios seres humanos.”
Gattaca – A Experiência Genética
“Num futuro no qual os seres humanos são criados geneticamente em laboratórios, as pessoas concebidas biologicamente são consideradas "inválidas". Vincent Freeman (Ethan Hawke), um "inválido", consegue um lugar de destaque em corporação, escondendo sua verdadeira origem. Mas um misterioso caso de assassinato pode expôr seu passado.”
Os filmes acima vieram por sugestão de um dos 2 ou 3 leitores deste blog, a farmacêutica e professora Rosa Rodrigues, a quem já agradeço a dica. Segundo ela, “Perfume – A história de um assassino” é interessante pois “descreve processos extrativos”. O segundo filme, um clássico, aborda a engenharia genética sob a ótica do seu impacto na sociedade. O filme abaixo é uma dica do Blog e está em cartaz. Não é recomendado pelo Jornal O Globo (o bonequinho dormiu).
Amor & outras drogas -
“Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) é um sedutor incorrigível do tipo que perde a conta do número de mulheres com quem já transou. Após ser demitido do cargo de vendedor em uma loja de eletrodomésticos, por ter seduzido uma das funcionárias, ele passa a trabalhar num grande laboratório da indústria farmacêutica. Como representante comercial, sua função é abordar médicos e convencê-los a prescrever os produtos da empresa para os pacientes. Em uma dessas visitas, ele conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de mal de Parkinson. Inicialmente, Jamie fica atraído pela beleza física e por ter sido dispensado por ela, mas aos poucos descobre que existe algo mais forte. Maggie, por sua vez, também sente o mesmo, mas não quer levar adiante por causa de sua doença.”


Imagem extraída de:


domingo, 30 de janeiro de 2011

Porque "Farmácia Comunitária"? Farmácia é farmácia!

Já comentei em outra postagem que não entendo sobre muitas coisas. Descubro isso a cada termo novo que se cria para definir a mesma coisa. O que para mim chama tangerina ganhou o status de mexerica ou bergamota, dependendo da região do País. O mesmo acontece com o aipim, que pode ser chamado de mandioca ou macaxeira, vai do ponto de vista.
Quando da chegada dos medicamentos genéricos percebi que havíamos criado categorias de medicamentos: genérico, referência e similar. Se levarmos em conta os termos usados no cotidiano, podemos incluir outros como “de marca”, “B.O”, “guelta”. Bom, medicamento é medicamento. De marca, na minha humilde opinião todos são. Podemos até achar que existem marcas mais conhecidas do que outras, mas isso é outra história. O mesmo aconteceu quando encontrei um texto e me foi apresentado, pela primeira vez, o termo “farmacista”. Sobre isso falo em outro momento!
Tenho ouvido o termo “farmácia comunitária” não é de hoje. Alguns trabalhos apresentam essa denominação, o que demonstra que ele se popularizou. Mas de onde surge isso? Particularmente não me importa se outro País adota tal denominação, pois temos uma Lei que regulamenta o comércio farmacêutico (Lei 5991/73), onde aparecem os seguintes conceitos:
Farmácia - estabelecimento de manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo o de dispensação e o de atendimento privativo de unidade hospitalar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica;

Drogaria - estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais;


Pesquisando na internet, hora me parece que farmácia comunitária é a que atende diretamente aos usuários. Por outro lado encontrei definições que me levaram a crer que esta seria a da rede privada. Numa recente mesa-redonda, na qual participei, ouvi de um dos debatedores de que o termo farmácia comunitária se refere tanto as estabelecimentos privados quanto os públicos. Alguns dizem que são todos os estabelecimentos, menos os hospitalares. Porque isso? Farmácia hospitalar não pode ser também comunitária? De forma direta ou indireta a farmácia hospitalar serve à comunidade...ou não? Indo mais além, fui atrás da definição “comunitária” e encontrei o termo “da comunidade”.  

Enfim, não consigo entender qual a diferenciação desta para o conceito previsto em Lei, ainda mais quando o conceito descrito acima também se aplica em outras esferas, segundo a Lei, em seu art. 3°, quando diz que: “Aplica-se o disposto nesta Lei às unidades de dispensação das instituições de caráter filantrópico ou beneficentes sem fins lucrativos”.

Sou favorável a que tenhamos um único conceito para definir o estabelecimento que queremos. Partindo do princípio de que a grande revolução não se dará no termo a ser utilizado, mas no papel que ele cumpre, gosto do conceito estabelecido no substitutivo apresentado pelo Dep. Ivan Valente (PSOL-SP) ao PL 4385/94, em seu art. 3°:

“Farmácia é um estabelecimento de saúde e uma unidade de prestação de serviços de interesse público, articulada com o Sistema Único de Saúde, destinada a prestar assistência farmacêutica e orientação sanitária individual e coletiva, onde se processe a manipulação e/ou dispensação de medicamentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou industrializados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos farmacêuticos, plantas medicinais, produtos fitoterápicos e correlatos”

Bom, está lançado o debate. Não quero ser meramente legalista, mas o nome do estabelecimento ou é farmácia ou é drogaria. Nem quero considerar os demais (postos de medicamento e unidades volantes) pois me parecem distantes do objetivo a ser alcançado. Ao invés de buscar novos conceitos, defendo que a luta seja pela aprovação do substitutivo citado acima. Desta forma, teremos um estabelecimento honrado para o profissional farmacêutico atuar, mas que principalmente, seja inserido nas diretrizes do SUS. Não quero desrespeitar aos que adotam o termo, mas porque não valorizar o já existente?

Disse Deng Xiao Ping: “Não importa a cor do gato desde que cace ratos”. Eu pergunto: “Porque mudar a cor do gato se ele pode caçar ratos”?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Como posso homenagear farmacêuticos(as) de luta?

Pois é, fui agraciado com a Comenda do Mérito Farmacêutico no último dia 20 de janeiro. Pelas minhas contas sou o 14° indicado pelo estado de São Paulo, desde a criação da Comenda, que se deu com uma Resolução do Conselho Federal de Farmácia - CFF (Resolução 323, de 16 de janeiro de 1998). Por indicação do Dr. Ely Eduardo Saranz Camargo, conselheiro federal por SP, e aprovado no Plenário do CFF, recebi o que se denomina “a mais alta condecoração da profissão farmacêutica”.
 No dia da entrega, foi lido o seguinte texto sobre minha pessoa:
A história nos dá conta de que Santos-SP foi o berço do sindicalismo brasileiro. Tantos anos de luta, geração após geração, pela defesa dos direitos dos trabalhadores certamente contribuíram para elaborar a personalidade combativa do Prof. Marco Aurélio Pereira, farmacêutico especialista em Farmacologia, formado pela Universidade Católica de Santos-SP. Tão logo iniciou sua vida profissional, Marco Aurélio abraçou as lutas do Sindicato de São Paulo e da Federação Nacional dos Farmacêuticos por melhores salários e valorização profissional. Também representou os interesses da categoria e defendeu o fortalecimento da assistência farmacêutica dentro do Conselho Municipal de Saúde de Santos.
Atualmente, é Coordenador-Geral de Gestão, do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DAF/SCTIE/MS) tendo, como uma de suas atribuições, coordenar o Programa Farmácia Popular do Brasil. É, ainda, professor das Cadeiras de Deontologia e Fundamentos e História da Farmácia nas Universidades de Santa Cecília e Municipal de São Caetano do Sul. A primeira na capital e a segunda na região metropolitana de São Paulo”.


A emoção é ímpar. A surpresa, ainda maior. Num estado como o de SP, onde estão quase 1/3 dos farmacêuticos de todo o País, não imaginava que isso um dia me aconteceria. Recebo a medalha não como reconhecimento do que talvez tenha feito, mas como estímulo para fazer cada vez mais!

Me parece clichê dizer que penso que muitos outros farmacêuticos e farmacêuticas mereciam a medalha, muito mais do que eu! O fato é que estou sentindo, de fato, isso. Formado em 1993, vi e convivi com profissionais da mais alta qualidade e, principalmente, combatividade. Desde aqueles que foram meus mestres na faculdade até àqueles a quem dei aula. Repassando uma lista de nomes que deveriam, por justiça, receber a Comenda, não consigo ver fim. Considerando isso, acabo de lançar a “Comenda do Mérito do Blog do Marco Aurélio”, a quem chamarei carinhosamente e com pouca criatividade de: “Comenda do Mérito do Blog do Marco Aurélio” (eu disse que haveria pouca criatividade). Com ela pretendo homenagear, mas principalmente, agradecer aos que me guiaram e me fizeram trilhar o tal do “bom caminho”. Pretendo destacar profissionais e também estudantes de farmácia!

Agradeço muito ao amigo Ely, que não tenho dúvida, não levou em conta a amizade apenas como mote de sua indicação. Agradeço ao Plenário do CFF por ter aceito. Ao CRF-SP por ter prestigiado. Ao SINFAR-SP, através das palavras carinhosas de algumas pessoas que me ligaram e pela presença do amigo Glicério Diniz. Aos amigos e parentes que lá estiveram. Mas agradeço, principalmente, por todas as palavras carinhosas que recebi pelo email, redes sociais, telefonemas, parabenizando pela Comenda.

Espero contribuições dos 2 ou 3 leitores do Blog para indicar possíveis homenageados. Quando puder indicar alguém, pelo email marcoaurelio.farma@gmail.com , mande um breve currículo para que eu possa postar.

Parabéns aos demais “Comendadores”.....

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Como farmacêutico, tenho dúvidas!

Apesar de já estar neste mundo por 39 anos (com corpinho de 38) descubro, a cada dia, que não entendo de muitas coisas. Tenho opinião sobre muitos assuntos mas existem outros tantos que me causam dúvidas. Por alguns momentos até acho que me causam indignação, mas tudo bem, pois o barato da vida é continuar tendo o prazer de se indignar! Gostaria de destacar alguns que até hoje me causam arroubos de curiosidade:
- Em que momento da vida paramos de levantar o dedo para pedir permissão à professora para ir ao banheiro? Com quantos anos isso acontece?
- Porque “tudo junto” se escreve separadamente e “separadamente” escreve tudo junto?
- Porque o cachorro abana o rabo, sendo que o inverso é impossível?
- Quando cumprimentamos alguém, devemos dar dois beijos ou apenas um?
- Quando estamos no trânsito, porque escolhemos mudar de fila, sendo que todas param para o mesmo semáforo (ou sinaleira, ou farol, etc.)?
- Porque a hora-aula dura 50 minutos e não 47, 52, ou algo próximo?
Na profissão farmacêutica, tenho desenvolvido teses para esclarecer muitas coisas. Tenho certeza de que muitas das minhas respostas não respondem muitas das perguntas que me faço! A cada momento que entendo minha profissão, novas discussões surgem de mim comigo mesmo! Posso compartilhar algumas?
- Porque ainda existe diferença entre o que significa “farmácia” e “drogaria”?
- Se o SUS (Sistema Único de Saúde) é universal, porque existem Municípios que não aceitam dispensar medicamentos para receitas prescritas por médicos do setor privado?
- Se a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem como função “normatizar, controlar e fiscalizar produtos, substâncias e serviços de interesse para a saúde”, porque quase tudo o que ela faz é questionado na justiça?
- Qual o motivo de haver diferenças salariais entre áreas de atuação da profissão, sendo que na cadeia do medicamento, todos os envolvidos possuem responsabilidades fundamentais?
- O que leva nossas entidades representativas serem dirigidas, em sua maioria por homens, sendo que a profissão é composta por quase 70% de mulheres?
- Porque muitos profissionais deixam de lado suas entidades sindicais, sendo que são elas as fundamentais para suas garantias trabalhistas?
Dúvidas que me assolam e quase me tiram o sono! Quero responder e peço ajuda!
Em tempo: Essa postagem foi motivada pelo anúncio de que a ANVISA não deve mais atuar na anuência prévia para concessão de patentes para medicamentos!

Imagem extraída de: http://jm7.com.br/Faq/?opc=2