quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Participe, de fato, de sua profissão!

Se tem algo fácil na vida é ficarmos bradando contra as mazelas do mundo, no conforto de nossa casa e na distância que a internet, por exemplo, nos oferece. Não são poucos os que vejo reclamando por emails e redes sociais, sendo que tenho sérias dúvidas se já participaram da reunião de uma associação, de uma assembléia de sindicato ou qualquer evento do seu Conselho Profissional, que não necessariamente disponibilizasse, ao final,  um certificado de participação. Um sábio me disse :"Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer". Proteger-se por trás do discurso de que  não tem tempo, que trabalha demais ou  que não foi convidado me parece fácil, pois quem quer mudar, busca o caminho da mudança.

Estive na presidência do sindicato dos farmacêuticos do Estado de São Paulo por três gestões. Não foram poucas as assembléias em que contávamos apenas com a participação de membros da diretoria. Foram muitas as negociações salarias em que poucos profissionais se dispuseram a enfrentar o debate, tanto na assembléia, quanto na negociação com o sindicato patronal. Inúmeros profissionais enfrentaram o pagamento das contribuições financeiras ao sindicato, sem ao menos perguntarem sobre a destinação dos recursos arrecadados pela entidade. Bom, perdi a conta do número de colegas que vinham reclamar da anuidade do seu CRF, sendo que nem do processo eleitoral participassem.

Quero um mundo melhor e lutei muito por isso. Desde a época de estudante, participei das minhas entidades representativas: Atlética, Centro Acadêmico, Diretório Acadêmico, entre outras. Quando me formei, procurei a Associação de minha cidade, preenchi minha ficha de filiação ao sindicato e participei dos eventos promovidos pelo CRF-SP. Tive bons professores, tais como: Gilda Almeida de Soua, Eliane Gandolfi, Dirceu Raposo e Dirceu Barbano, entre outros. Pude conviver com Arnaldo Trafani, Pelegrini, Paulo Paes, José Franco de Matos. Agraeço por ter conhecido Maria José Martins (minha amiga Zezé), Maria Eugênia Cury, entre outros. Penso hoje : sou o que sou por tê-los(as) conhecido? Respondo: ajudaram, mas minha vontade de mudar foi determinante.

Esse texto foi escrito num momento em que acompanho debates sobre os rumos da profissão farmacêutica, feita por diversos profissionais a quem declino o devido respeito, mas principalmente por ter recebido a notícia de que o tema do próximo Encontro Nacional dos Estudantes de Farmácia (ENEF) será: "Farmacêutico: a que se destina? Desafios na implementação de um novo currículo".

O grande desafio está em debater, mas juntar. Opinar, mas participar. Não se satisfazer em "trabalhar", mas lutar pelos rumos do trabalho profissional. Tirar conclusões, sem menosprezar as opiniões contrárias. Atuar, atuar e atuar.
Talvez este seja um mero desabafo de um farmacêutico com mais de 20 anos de formado, mas com espirito jovial e devidamente responsável de quem ainda quer atuar! Acertei no que fiz? Não sei. Mas tenho claro que não errei em tentar.
Obrigado pela atenção!!!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diretrizes para farmácia hospitalar...e agora?

No dia 31 de dezembro de 2010, último dia de Governo do Presidente Lula e do Ministro José Gomes Temporão, foi publicada a Portaria 4283/2010, que aprova as diretrizes e estratégias da Farmácia Hospitalar. O Grupo de Trabalho para elaboração das diretrizes , do qual participei pelo Departamento de Assistência Farmacêutica/MS, foi nomeada através da Portaria 2139/2010. Foram 5 meses entre a constituição do GT até a publicação de uma Portaria que conseguiu reverter um erro histórico, pois revogou a “tenebrosa” Portaria  GM/MS Nº 316, de 26 de agosto de 1977, publicada no DOU em 14 de setembro de 1977, Seção I - Parte I, pagina 12236. Porque tenebrosa? Pois ela preconizava não haver necessidade de presença de farmacêuticos em hospitais com menos de 200 leitos.

Não quero entrar no mérito da conjuntura da época em que esta Portaria foi apresentada, mas dizer que não havia necessidade de farmacêuticos em hospitais é tão equivocado quanto dizer que não há a necessidade de médicos, enfermeiros, entre outros profissionais de saúde. Só aceito isso quando também não houver e necessidade da presença de pacientes.

A Portaria publicada no Diário Oficial da União no apagar das luzes de um Governo reconhecido pelo incentivo à Assistência Farmacêutica, como foi o Governo Lula, conseguiu recuperar a dignidade dos profissionais que atuam neste setor. Tenho claro que parte dos baixos salários pago aos(as) farmacêuticos(as) que atuam neste setor, se deve a antiga Portaria, pois não foram poucas as liminares concedidas para que hospitais não tivessem esse profissional presente.

Comemorado o ato legislativo, fica agora a responsabilidade das entidades sindicais e dos conselhos profissionais em transformá-la em realidade. A Portaria é um passo importante e não se finda com sua publicação. Precisamos que todos agora, movimentos sociais e profissionais, façam com que as diretrizes apontadas tornem-se realidade.

Este não é o primeiro ato do antigo governo que buscou moralizar a assistência farmacêutica em nosso País. Sempre pautado pela Política Nacional de Assistência Farmacêutica (Resolução 338/2004 do Conselho Nacional de Saúde), diversas outras ações buscaram regulamentar o que é direito da sociedade: acesso racional e com qualidade aos medicamentos. Prova disso foi a criação do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – HORUS, e da  publicação da Diretrizes para estruturação de farmácias no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Tenho claro que nenhuma legislação, sistema ou diretriz, serão efetivadas se não forem, de fato, instrumentos de ação de todos os interessados na qualificação da assistência farmacêutica. Quero dizer com isso que publicar tudo o que foi dito, deu trabalho, mas não passará de letra escrita se não forem assumidas por todos(as). Um bom começo é conhecê-las. O próximo passo é levar ao conhecimento da sociedade e, mais uma vez, o controle social tem papel fundamental.

Bom, escrito está....agora, vamos trabalhar por elas???
Para ter acesso aos documentos citados:

Portaria 4283/2010 - Aprova as diretrizes e estratégias para organização, fortalecimento e aprimoramento das ações e serviços de farmácia no âmbito dos hospitais.


Diretrizes para estruturação de farmácias no âmbito do Sistema Único de Saúde.


Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – HORUS



Boa leitura...





domingo, 2 de janeiro de 2011

Um farmacêutico na posse de Dilma Rousseff.

Ontem, dia 01/01/2011 (cabalístico não?), tive a oportunidade de, pela primeira vez, assistir a posse de um Presidente da República. Confesso que desde 2002 tinha esse sonho, mas só consegui concretizá-lo no primeiro dia de 2011. Só não imaginava que seria uma posse tão simbólica, pois é a primeira vez que uma mulher assume o cargo mais alto do poder executivo do Brasil, sucedendo o primeiro operário a exercer a presidência da república. Mais simbólico ainda é o fato dele “ter dado certo”.
A posse ocorrer no primeiro dia do ano traz consigo toda a responsabilidade de conseguir atender aos mais variados anseios, que provavelmente, foram temas das orações e pedidos a Iemanjá feitos após a meia-noite. Olhava nos olhos dos presentes e via de tudo: militantes, turistas, filhos de alguns dos citados anteriormente e os que foram desejar boa sorte e dar boas vindas à nova moradora do Palácio da Alvorada. Debaixo de chuva e sol (não necessariamente nesta mesma ordem), fiquei por mais de 6 horas no evento, indo de um lado para o outro. Consegui ficar a pouquíssimos metros do Rolls-Royce que trouxe Dilma Rousseff ao Congresso Nacional. Depois corri até o parlatório com o intuito de poder ver seu primeiro discurso. Foram horas excitantes!
Como farmacêutico, defensor e lutador do SUS, estava presente por poder perceber as mudanças recentes em meu País. No que diz respeito aos avanços na Assistência Farmacêutica comentei em outra postagem. Esse Governo que se encerra conseguiu avançar em áreas as quais considero nobres.
Enquanto acompanhava o evento, passei a observar os que haviam se disposto a estar presente num momento especial da nossa democracia. O que os levava a estar ali? Com toda a certeza não estavam pela simples falta do que fazer. Algo maior os movia. As mulheres penso terem um motivo a mais, afinal de contas, pela primeira vez o gênero se sente representado efetivamente pelo chefe do poder executivo. Neste instante, uma mulher me chamou a atenção. Parada em frente ao posto de primeiros-socorros montado logo abaixo do Pavilhão Nacional, com um jeito humilde, não desgrudava os olhos do telão montado ao lado do Palácio do Planalto. Não me lembro de tê-la visto piscar por alguns instantes. Falsamente protegida pela chuva e agarrada a sua bandeira, aquela mulher de baixa estatura se sentia enorme por poder acompanhar aquilo tudo. Até obter o registro fotográfico que disponibilizo nesta postagem, levei um tempo olhando para ela. O que será que passava por sua mente? Uma prece? Uma esperança sem fim? Seria um simples agradecimento? Bom, algo maior do que o clima a moveu até a Praça dos Três Poderes.
Nos olhos e na posição da distinta mulher milhões de brasileiros estavam representados. Homens e mulheres, ricos e pobres, diferentes raças e credos, todos sem exceção. Mesmo aqueles que só de dirigiam a Dilma, durante e após o processo eleitoral,  como “terrorista”, “divorciada”, “antipática”, também estavam lá representados.
É um novo Governo e um novo ano. Espero que todos possam estar presentes na próxima posse presidencial, satisfeitos como eu e a mulher da foto estavam. E que sigamos os ensinamentos que ela nos passou: empunhemos nossa bandeira sempre, observemos a tudo atentamente e saibamos agradecer.
Feliz 2011!

A foto foi tirada pela pessoa que vos fala.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Estudante de farmácia na África do Sul.

Como última postagem do ano, além de desejar um ótimo 2011 aos meus 2 ou 3 leitores, resolvi homenagear o movimento estudantil de farmácia com um texto feito pelo amigo (amizade iniciada no ano que se encerra) Antonio Bonfim. Mais do que divulgar um texto de um amigo, penso ser isso simbólico pra mim, já que a juventude me encanta, ainda mais a parcela dos jovens que se dispõem a lutar. Lembro-me, ao vê-los, de minha juventude, encerrada não faz muito tempo. Com os erros e acertos próprios dessa idade, o importante é acreditar que se pode fazer a diferença.
Segue o texto escrito por Antonio Bonfim...boa leitura:


Experiências de um estudante de Farmácia no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes

Senti-me honrado em receber o convite para compor a delegação presente no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes. Tendo inicio durante a 2ª guerra Mundial, sempre com o objetivo de manter a paz, esse evento completa a sua 17ª edição em 2010, com o tema: “Por um mundo de Paz, solidariedade e transformação social, derrotemos o imperialismo”. A cidade sede foi Pretória, na África do Sul, onde houve homenagens a Fidel Castro e o grande líder Nelson Mandela.
Participar de um evento, desse porte, foi uma experiência inigualável, o evento contou com delegações de mais de 140 países, somando mais de 17 mil pessoas, o que possibilitou uma interação entre os povos. Pude conhecer um pouco da cultura dos outros países, suas realidades políticas e socializar com eles a realidade brasileira no contexto, diante das transformações sociais aqui vividas.
Para mim, um dos dias mais proveitosos, o 3º dia, chamado de “Dia da América”, onde tivemos mais contato com nossos amigos latino-americanos, e pude conhecer a realidade de países, como Cuba, por exemplo. Questões como a defesa de uma educação publica e de muito mais qualidade foram pautadas e defendidas. Houve participação de entidades brasileiras como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), num debate proveitoso sobre todo o processo político vivido pelo Brasil, desde a época da ditadura, ate os dias atuais, com a eleição do Presidente Lula e da nossa primeira Presidenta, Dilma Rousseff, fato já conhecido pela maioria dos presentes.
Um dos principais atividades realizadas durante o Festival, foi o Tribunal Anti-imperialista, composta por toda uma corte, com juízes, advogados, testemunhas etc. onde o imperialismo foi condenado como culpado pelas agressões à humanidade como: as ocupações israelenses a territórios palestinos, os diversos danos causados ao meio ambiente, o fim de muitos recursos naturais, o impedimento de avanço em muitas mudanças sociais, foram algumas das atrocidades imperialistas ouvidas em testemunho. Este Tribunal, não representa caráter jurídico, mas é de suma importância para despertar conhecimento e conscientização a população, sobre esse sistema, presente na sociedade.
Procurei estreitar relações entre os lideres de entidades ligadas ao movimento estudantil e juvenil internacionais, entre estudantes da área da saúde, e como Coordenador de comunicação e intercâmbio da ENEFAR (Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia) deixei contatos que possibilitassem a procura pela entidade, e claro, tornando a conhecida por eles.
Outra experiência marcante, vivida por todos os brasileiros, foi o grande carinho que os estrangeiros têm pelo Brasil, todos queriam um autografo na camiseta, tirar foto com as brasileiras, ganhar presentes, onde viam um brasileiro com a camisa da seleção, gritavam de longe sobre a Copa de 2014, e o nome de álbuns jogadores, ninguém ficou parado quando as bandas brasileiras “Passarinhos do Cerrado” e “Adoraroda” se apresentaram no Festival Musical, ao som do nosso lindo Samba. O Brasil é celebridade! E voltei com muito mais orgulho de ser brasileiro, e com uma outra visão da África do Sul, que é um belo país, com inúmeras belezas naturais, cidades lindas e um povo muito acolhedor.

Antonio Bonfim
Coordenador de Comunicação e Intercâmbio – ENEFAR

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Por falar em humanização....

Acabo de chegar de uma confraternização de despedida de 2010 com servidores de uma secretaria de assistência social. Como toda boa festa de fim de ano, ocorreu o tal do amigo-ladrão (versão sacana e mais econômica do amigo secreto), conversas, cervejas e alguma interação entre os presentes. Para não ficar de fora, emiti algumas opiniões e acabei ouvindo relatos que me fizeram refletir.
Estavam presentes psicólogos, assistentes sociais, servidores municipais de nível médio e beneficiários dos diversos programas coordenados pelos presentes, entre outros. Acabei por conhecer realidades que foram geradoras desta postagem. Uma mola propulsora que me trouxe a pensar sobre a importância de um pequeno gesto que poderia mudar algo maior.
Uma das histórias foi narrada por uma advogada que participa de um dos programas de geração de renda. Os principais beneficiários são pessoas de baixa renda que moram em cortiços de uma grande cidade. Disse ela...
“Nosso projeto busca a inclusão produtiva, através de projetos sociais de geração de renda, dando a oportunidade de participarem de uma cooperativa que não se basta em garantir simplesmente uma remuneração. Certo dia, após uma reunião exaustiva acerca do gerenciamento do recurso obtido pelos cooperados, começamos a conversar com as pessoas beneficiadas sobre quais seriam as principais alterações a serem realizadas no programa. Ouvimos de tudo um pouco: desde a mudança da cor das paredes até outra postura das participantes. As sugestões ousadas quase que buscavam uma grande revolução. Propostas quase que inexeqüíveis foram expostas. Praticamente todas falavam, menos uma. Ela nos observava com os olhos atentos, tal qual uma criança ansiosa por demonstrar seus sonhos e desejos. Entendendo que o assunto já havia se esgotado já que quimeras foram apresentadas, perguntei se havia mais alguma reclamação ou sugestão. Aquela que até então estava calada, questionou:
- Eu queria saber quando vão consertar a geladeira?
Disse que não estava unicamente sob nossa capacidade de solução e sim do poder Executivo, já que dependia de toda a burocracia necessária para o simples conserto de uma geladeira. Já que o questionamento havia me gerado curiosidade extrema, acabei por perguntar:
- Mas qual a angústia com a geladeira? Se quiseres guardar algo e mantê-lo gelado, tem o bar do lado que pode nos emprestar seu freezer.
Ela respondeu:
- É que hoje acordei com uma “baita” vontade de tomar uma água gelada! E só aqui eu consigo isso."
Aquela pobre mulher, que dependia de um programa social para obter algum valor financeiro para sua sobrevivência, almejava apenas que a geladeira estivesse funcionando, para que pudesse tomar “água gelada”, artigo de luxo em sua casa.
A única lógica que consegui extrair disso foi de que grandes revoluções são necessárias. Entender os anseios e desejos dos outros devem ser buscados por nós sempre. Mas não podemos nos perder na macro solução. Às vezes, um pequeno gesto, que para nós pode ser visto como mínimo, é grande demais para quem recebe. Querer mudar o mundo é o desejo de todos, mas mudar a vontade de um pode ser um bom começo. Não estão errados os técnicos que coordenam os programas aqui comentados....só é preciso entender qual o desejo imediato dos que poderão usufruir de tudo isso. Com certeza não são desumanos nem frios, muito pelo contrário. Ocorre que o desejo de mudança é tão grande que acabam por deixarem de ver o "pequeno".
A história acima me emocionou muito. Os que me conhecem sabem que choro com propaganda de margarina. Por isso quero perguntar aos meus 2 ou 3 leitores: quer um copo de água gelada?