sábado, 18 de dezembro de 2010

Exame de proficiência é um bom critério de avaliação?

Recebi da Silvia Amaral Pereira (@silvinha_amaral), Bacharel em Direito, o texto abaixo. Publico-o na íntegra por ser este um tema de interesse de toda a sociedade, mas principalmente das profissões envolvidas no assunto. Lembro-me que não faz muito tempo, este assunto foi tratada pelos órgão de classe da profissão farmacêutica. Evito meus comentários...por isso, deixo os meus 2 ou 3 leitores opinarem.

"A internet bomba com manchetes que abordam a decisão do Desembargador Vladimir Souza Carvalho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que concedeu uma liminar na última quinta-feira, considerando inconstitucional o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
De acordo com a decisão,  os profissionais formados em Direito que procuraram a Justiça, têm direito de exercer a profissão, mesmo sem a aprovação no exame da Ordem. Essa decisão vem causando inúmeras reações de todos os segmentos do direito.
Para muitos essa é uma decisão controversa, pois apostam que o exame tem o objetivo de filtrar e mensurar a capacidade do recém formado de atuar na profissão, avaliando inclusive, a qualidade de ensino das universidades. O presidente Nacional da OAB, Dr.Ophir Cavalcante, é um dos mais veementes defensores desta tese, acrescentando inclusive que para a OAB seria interessante o ingresso de vários profissionais em seu quadro, mas que prefere ao invés de quantidade, qualidade e que outros conselhos de classe vêm tentando copiar o modelo do exame de proficiência: Medicina, Contabilistas e Engenheiros.
Outros vibram com tal decisão, por entender que o exame da OAB fere a Constituição Federal, bem como o Principio da Isonomia,  que de fato não serve como balizador de competência profissional, e por fim, que esta é a única profissão em que o acadêmico permanece cinco anos em uma universidade, e depois de aprovado por uma Instituição de Ensino devidamente reconhecida pelo MEC, não pode atuar, necessitando da aprovação aleatória do órgão da categoria.
Colocados aqui os dois lados da moeda, preciso externar minha opinião. O papel do operador do direito na sociedade sempre foi visto como diferenciado, basta resgatar a Lei do Império de 11/08/1827 que instituía que aquele que cursasse 05 anos do curso teria o título de doutor, (prática utilizada até os dias de hoje), a terminologia utilizada no meio jurídico, antes o latim, agora o famoso juridiques.
Como o tema muito me interessa, decidi buscar o máximo de opiniões divulgadas na internet e o que li me deixou extremamente frustrada, pois estamos diante de uma decisão extremamente polemica e que merece muito debate, no entanto, a maioria dos contrários ouvidos são profissionais que se beneficiam do exame (donos de cursinhos preparatórios). Ninguém foi procurar um bacharel, um reitor de universidade ou um jurista isento de qualquer beneficio próprio para discutir o assunto.
Um fato que não se pode deixar de analisar é o baixo índice de aprovação no último exame: 105.315 candidatos inscritos, 47 mil  aprovados para a segunda fase, sendo que apenas 12.614 (12%) passaram. Será que este é um problema de ensino, ou as provas aplicadas não são coerentes? Quem mesmo avalia a segunda fase? A letra da lei é uma, mas a interpretação da mesma, como sabemos, cabe a quem a lê e a aplica. Os recursos analisados pela OAB quando negados, não são fundamentados, por quê? Porque quem passa na primeira fase e reprova na segunda tem que refazer as duas, pagando mais uma vez a taxa de R$ 200,00 (valor da ultima)? A pessoa já não provou que tem conhecimento na primeira? Será que não deveria refazer somente a que reprovou?
Não sou absolutamente contra a realização do exame, desde que esse tenha outra formatação e finalidade. Digo isso por acreditar não ser papel da OAB avaliar Instituições de Ensino, e tão pouco, alegar que o aumento de cursos de direito no país inserem no mercado profissionais despreparados, Cabe a ela sim abrir o debate e questionar essas ações, até porque a OAB está sempre envolvida em debates de questões nacionais, mesmo quando não são de sua alçada.
Está na hora de acabar com essa pseudo idolatria pelo operador do direito, pois somos profissionais como outro qualquer. Freqüentamos a universidade por cinco anos, sofrendo todas as pressões, angustias, cobranças e dificuldades como todos, mas agora, depois de formados não podemos exercer a profissão que escolhemos e nos preparamos. Isso ocorre não por falta de capacidade, mas por decisão do órgão da categoria, que em suas provas exigem que tenhamos não apenas conhecimentos essenciais para atuar na profissão, mas principalmente de memorização, pois em suas provas, de 100 questões, precisamos decorar os Códigos, para respondê-las, coisa que pouquíssimos profissionais atuantes conseguem.
Essa ainda é uma longa discussão, mas fico feliz por saber que ainda existem Desembargadores que conseguem visualizar a situação sem amarras ou pensamentos tendenciosos, apenas decidem analisando a letra da lei."

Imagem extraída de:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dicas de filmes para profissionais de saúde parte III - O retorno

Tentando dar minha contribuição aos que estão com o fim de semana livre, ou mesmo aos que receberam aquele convite o qual denominamos "Indian Program" (vulgarmente chamado de Programa de Índio) que você está próximo de recusar, seguem novas dicas de filmes. Vale salientar que não vi todos os filmes que estou postando desde a "parte I". Tenho pesquisado mas também recebido sugestões, como foi o caso da amiga de twitter @lucieneamaral. Destaco também que não sou o que pode ser chamado de ´"cinéfilo", por isso, as sinopses são extraídas de sites, os quais cito ao final da postagem. Com esta postagem já são 15 filmes os indicados. Para ver as outras dicas acesse:

http://marcoaureliofarma.blogspot.com/search/label/Dicas%20de%20filmes

Aguardo seus comentários, sugestões...enfim, espero que curtam.



AS INVASÕES BÁRBARAS.

"À beira da morte e com dificuldades em aceitar seu passado, Rémy (Rémy Girard) busca encontrar a paz. Para tanto recebe a ajuda de Sébastien (Stéphane Rousseau), seu filho ausente, sua ex-mulher e velhos  amigos."


UMA CHANCE PARA VIVER.
 "EUA - O Dr. Dennis Slamon trabalha no menor laboratório da UCLA (Universidade da California, Los Angeles), tem o menor orçamento e nenhum estudante da área de ciências se candidata como seu assistente. O cientista se esforça demais e é pouco valorizado, mas tem o apoio da esposa e acredita no que faz. Dr. Slamon está desenvolvendo uma droga experimental para o tratamento do câncer da mama. Herceptin é um anticorpo produzido nas células e, em doses maciças, o médico acredita que possa ser uma terapia não tóxica para 25% das mulheres com diagnóstico de câncer da mama.

Mas o laboratório Genentech teme prejuízos, corta verbas e pensa interromper o financiamento da pesquisa. Quando tudo parece perdido, Lilly Tartikoff, esposa de um antigo paciente do dr. Dennis, se oferece para levantar fundos entre os amigos. Ao encontrar Ronald Perelman, executivo da Revlon, ela se apresenta e pede uma chance para falar sobre a pesquisa com o Herceptin. Começará aí uma generosa parceria.

"Uma Chance para Viver" foi produzido para a televisão, tendo Renée Zellwwegger como produtora executiva. Sua maior amiga também foi curada por Dennis Slamon. Este é um filme simples, com bom elenco e momentos emocionantes, especialmente para quem tem ou teve pessoas queridas em luta contra o câncer. Acho que, hoje em dia, isso inclui todos nós."

 

O TIGRE E A NEVE.

"O poeta e professor universitário Attilo De Giovanni (Roberto Benigni) vive num mundo distante da realidade, em meio aos sonhos de conquistar a mulher que ama. Em 2003, logo depois de lançar o livro de poesia "O Tigre e a Neve", a realidade do mundo finalmente o atinge quando descobre que a mulher de seus sonhos foi ferida num dos primeiros bombardeios americanos sobre o Iraque. Ele consegue achá-la em Bagdá e se envolve então em inúmeras dificuldades para conseguir encontrar, em uma cidade destruída, os medicamentos de que ela precisa." 

WIT, UMA LIÇÃO DE VIDA.

"É um filme norte-americano para televisão dirigido por Mike Nichols em 2001 .Conta a história de uma professora universitária de literatura (Emma Thompson) acometida por um câncer de ovário em estágio avançado. Sempre uma profissional muito rígida, ela muda suas perspectivas e o modo como encara a vida ao descobrir a doença."





Como eu disse, as sinopses foram extraídas dos sites abaixo:







domingo, 12 de dezembro de 2010

Vaselina mata...é só isso?

     Não tenho a menor disposição de apontar verdades. A grande virtude de uma opinião é simplesmente emitir um pensamento sobre algo. Respeitar as opiniões contrárias, ouvir e ser ouvido, são partes fundamentais de uma simples troca de idéias. Por isso, gostaria de conversar sobre algo que aconteceu nesta semana, recheada com notícias boas e ruins (não necessariamente nesta mesma ordem). Entre as que causaram raiva, surpresa e indignação, estava a notícia de uma menina que faleceu em virtude de uma aplicação de vaselina em sua veia. Obviamente que o fato não foi intencional, mas a conseqüência foi fatal. O fato se deu no Hospital São Luiz Gonzaga, ligado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A menina Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, foi a vítima.
     O falecimento de qualquer pessoa deve ser averiguado, mesmo que por motivos naturais. Agora, a morte prematura de uma criança, cujo diagnóstico foi “virose”, no dia 3 de dezembro de 2010, tendo sido prescritos medicamentos e soro fisiológico, sendo que a pequena vítima recebeu vaselina no lugar do soro, merece debate maior. Ela só foi parar no hospital porque tinha vômito e diarréia.  O fato precisa despertar em todos nós a devida indignação, mas mais do que isso, a abertura de uma discussão que amplia a avaliação sobre a responsabilidade. Num caso como esse é muito comum buscarmos o culpado ou culpada. Perfeito, penalizemos a auxiliar de enfermagem que já responde por crime culposo. Achamos o “mordomo”? Tenho dúvidas...
     Em primeiro lugar, para propiciar o início da discussão, quero lembrar a Portaria 316/77, que previa não haver necessidade da presença de farmacêuticos em “pequenas unidades hospitalares”, definidas como aquelas com menos de 200 leitos. Tal Portaria trouxe graves consequências ao que defendemos por assistência farmacêutica. É fato que sem farmacêutico não existe assistência farmacêutica plena, já o inverso, talvez seja possível. Ter farmacêutico simplesmente não resolve a situação. Sem estrutura, sem vontade política tanto do profissional quanto do administrador do estabelecimento, sem empenho dos atores envolvidos, pouco se faz. Tarda a revogação desta Portaria, como tarda a discussão de que não basta estar presente...tem que participar!
     Em segundo lugar, chamo a discussão sobre quem é, de fato, o responsável pelo paciente. O médico que diagnostica? O porteiro que recebe o paciente? A família que deve estar atenta aos primeiros sintomas? O farmacêutico que dispensa? Os profissionais da enfermagem que têm relação direta na aplicação dos medicamentos? Bom, penso que todos. Como diz o ditado: “somos lados da mesma moeda”.
     Caso não tenhamos neste fato o motivador de uma grande discussão sobre a plenitude da assistência farmacêutica, tida como um “conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso racional...” (Res. 338/04 do Conselho Nacional de Saúde), não sei o que mais possa despertar o debate. Não deixemos que o falecimento dessa pequena inocente seja mais um caso de “erro”. Vamos avaliar por todos os aspectos isso tudo: desde a semelhança dos frascos de medicamentos até a participação efetiva dos pais ou cuidadores durante uma internação.  Como a humanização interfere nisso tudo?
     Bom, indignados vamos dormir...mas só isso basta????

Em tempo, quase coloquei como foto da postagem, a imagem da pequena Stephanie. Não consegui, pois não achei nenhuma foto dela  na qual estivesse triste, além de achar apelativo. Foto dela sorrindo? Não é assim que ela vê o que aconteceu. Por isso, insiro a foto acima, encontrada no site:http://www.hotfrog.com.br/Empresas/Dra-Neuza-Alves-de-O-Dias/Erro-medico-Advogado-pr-x-ao-Metr-Rep-blica-S-o-Paulo-56039 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Profissionais de saúde...uni-vos!

     Já comentei neste espaço o quanto temo as propagandas, na postagem "Propagandas da minha vida". Com toda a certeza elas são importantes pela divulgação de diversos assuntos, mas muitas são temerosas pelas suas promessas. Considerando que este é um povo bom, muitos crêem no que lêem (até rimou) e acabam por direcionar seus destinos rumo ao "paraíso" prometido. A imagem abaixo foi extraída de uma palestra proferida pelo amigo Rilke Novato. Ela fala por si e demonstra o quanto a crença popular pode ser explorada.....



     O cartaz acima, descoberto num poste perto de você, explora grandes problemas da sociedade tais como "congestã e hemorróida" (SIC). Além de tudo, "resgata FGTS e cancela cartão". O final é avassalador pois fala de Fé.....
      Se não bastasse, veja a imagem abaixo:



      Esse é impagável pois mostra o quanto estamos ameaçados. Afora a linguagem coloquial, o cartaz explora algo que, na história do Brasil, fez-se um grande medicamento: as famosas "garrafadas". Imagine algo que cura de bronquite a "desgasto físico"(SIC).
      Tudo isso seria cômico se não fosse trágico. A lição disso tudo? Bom, temos muito por fazer. Profissionais de saúde, Estado, controle social....uni-vos!!!



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dicas de filmes para profissionais de saúde parte II - A missão!

Metade dos meus 2 ou 3 leitores agradeceram por poderem ter opções de filmes que acabaram por engrandecer seus momentos de folga. Tal qual um Rubens Ewald Filho (só que sem barba e sem o mesmo talento), venho sugerir uma segunda rodada de filmes. As sinopses foram extraídas dos sites citados abaixo. As sugestões foram dadas pelas amigas: Marselle (PA) e Fernanda Junges (DF).  Ambas farmacêuticas e sintonizadas com os assuntos relacionados com a profissão farmacêutica  e com a saúde pública.
Os filmes abaixo tratam de assuntos relacionados a medicamentos e a humanização em saúde. Caso tenha alguma sugestão, não deixe de enviar.

Réquiem para um sonho:

“Uma visão frenética, perturbada e única sobre pessoas que vivem em desespero e ao mesmo tempo cheio de sonhos. Harry Goldfarb (Jared Leto) e Marion Silver (Jennifer Connelly) formam um casal apaixonado, que tem como sonho montar um pequeno negócio e viverem felizes para sempre. Porém, ambos são viciados em heroína, o que faz com que repetidamente Harry penhore a televisão de sua mãe (Ellen Burstyn), para conseguir dinheiro. Já Sara, mãe de Harry, viciada em assistir programas de TV. Até que um dia recebe um convite para participar do seu show favorito, o "Tappy Tibbons Show", que transmitido para todo o país. Para poder vestir seu vestido predileto, Sara começa a tomar pílulas de emagrecimento, receitadas por seu médico. Só que, aos poucos, Sara começa a tomar cada vez mais pílulas até se tornar uma viciada neste medicamento”.

Estamira:

“Estamira relata fielmente a vida de uma senhora tachada como louca pela família e médicos, porém de uma lucidez incrível.
Este foi o primeiro documentário do originalmente fotógrafo Marcos Prado. Vencedor de um total de 23 prêmios nacionais e internacionais conta a história de Estamira, mulher simples de vida difícil que encontra no lixão uma possibilidade de sobrevivência.
Essa senhora de 62 anos de idade renega a Deus por diversas razões e é capaz de explicar todos os fenômenos naturais e humanos de forma lúcida, eloqüente e ao mesmo tempo questionadora. Ela é uma prova de que as pessoas têm sim a capacidade de pensar e agir de forma contrária à padrão e se manterem intelectualmente ativas, embora os psicanalistas que a tratam discordem desse conceito preferindo dopá-la à ouvi-la.
Estamira não é uma mulher estudada, pelo contrário, mal sabe ler já que durante a infância passou por maus bocados que, no decorrer do documentário, servem para explicar suas “crenças” e instabilidade emocional.
A direção de Marcos Prado foi brilhante, ele não tentou dar voz à Estamira, ele simplesmente buscou uma forma de tornar visível sua existência para que servisse de exemplo nu e cru para todos aqueles que venham a se interessar por compreender o ser humano como indivíduo racional, não só emocional como estamos acostumados a ver nas telas de cinema”.

Cinema, Aspirinas e Urubus:

“Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.”

Patch Adams - O Amor é Contagioso:
“Em 1969, após tentar se suicidar, Hunter Adams (Robin Williams) voluntariamente se interna em um sanatório. Ao ajudar outros internos, descobre que deseja ser médico, para poder ajudar as pessoas. Deste modo, sai da instituição e entra na faculdade de medicina. Seus métodos poucos convencionais causam inicialmente espanto, mas aos poucos vai conquistando todos, com exceção do reitor, que quer arrumar um motivo para expulsá-lo, apesar dele ser o primeiro da turma”.


Todos os filmes possuem sinopses extraídas dos seguites sites:


Imagem extraída de: